“Levantar, estudar, comer e dormir”
Todo dia acordar num pulo quando o despertador toca, seguir o mesmo ritual para tentar descobrir se vai fazer frio ou calor e sair correndo de casa porque o relógio parece sempre estar de mau humor. Se formos atentos, veremos as mesmas pessoas todos os dias no mesmo e na mesma hora, mesmo as vendo todo dia, lado a lado, jamais quebramos a rotina do silêncio. Obviamente, nunca há realmente som, ouvimos a playlist de sempre e temos um ataque do coração quando lembramos que não fizemos a lição, mas respiramos aliviados pois vivemos na Era da Internet.
Desse modo tocamos a vida, a conversa de todo dia, aquela brincadeira que nos faz se contorcer de rir, ficar emburrado por uns minutos e depois voltar ao normal. Copiamos, respondemos e corrigimos, quem sabe não surja uma aula vaga com aquela eventual que não passa nada? Lógico, sabemos que isso só nos prejudica, entretanto não tem nada melhor que uma última aula para jogar conversa fora, planejar o final de semana, tirar o atraso daquele livro que já estamos lendo há semanas ou até mesmo cochilar até bater o sinal e enfim voltar para casa (ou trabalhar para ganhar dinheiro e depois ficar bravo por gastar tudo com cinema, lanches ou sua paixonite). E o mais interessante é que isso acontece literalmente todos os dias.
Quebrar esse levantar, estudar, comer e dormir é quase impossível, ele já faz parte de nós, ainda assim, podemos inovar a cada dia. Sair para fora e ver o céu por uns minutos e refletir não só no clima mas no que vamos fazer naquele dia, tentar sair mais cedo ou invés de ir para esquerda ir para direita. Dar um simples “Oi” para o rapaz que senta ao seu lado diariamente no ônibus, cumprimentar a moça que sempre está parada na calçada quando você passa a pé e falar com aquele idoso que aparece junto com o nascer do Sol. Na escola, tentar mudar a cor da caneta para copiar a lição, parar para ver o que está escrito nas paredes do pátio e perceber que você passa todo dia por tantas coisas e nunca deu valor à elas. E, quem sabe, sentir a sensação de se arrepender por não ter conhecido alguém antes e agora ser tarde.
Sendo assim, os dias não podem mudar só a maneira como encaramos eles.
Comentários
Postar um comentário